quarta-feira, 21 de novembro de 2007

O Amor e as dependências

O amor quase sempre começa com uma paixão. Vem como uma tempestade em alto mar, que interrompe a calmaria de uma vida que parecia segura e tranquila. Sem pedir licença, as ondas desse mar invadem o convés e lançam para fora do navio o tédio e a desmotivação.

Passada a tempestade, o viajante desse barco percebe que foi levado a uma ilha. É terra firme, onde poderá plantar a semente da sua vida e de suas realizações. A ilha é um cenário paradisíaco, onde tudo é perfeito. Parece que o lugar foi feito sob medida para esse navegante. Paisagens mágicas, águas cristalinas, pássaros de cores nunca vistas e cantos maravilhosos.

Então, ele começa a explorá-la e nota que nem tudo se encaixa em seu sonho tropical. As árvores dessa ilha não davam exactamente os frutos que desejava, e isso o decepciona. A água doce não é tão abundante quanto ele pensava. Todas as suas esperanças estão naquela ilha. Se ela não o alimentar, não suprir as suas necessidades, o que será de sua vida?

Essa ilha é como a pessoa amada. Em quem se deposita todos os desejos, carências e também as ilusões: “Com ela, vou fazer o que sempre quis”. “Eu nunca mais vou me sentir só”. E quando o outro não faz o que se espera, vem a desilusão.

Isto acontece porque teve a esperança de que alguém fizesse o que era sua tarefa:



Realizar-se como ser amoroso que é



Pode parecer incrível, mas a verdade é que o amor é mais pleno quando as pessoas envolvidas não precisam do outro para se sentir realizadas. O amor desenvolve-se mais serenamente entre aqueles que se sentem inteiros, desprendidos e, então, podem efectivamente entregar-se.

Quando precisa de alguém, reduz esse ser amado a um simples prestador de serviços. Precisa dele, assim como de um canalizador para instalar uma torneira em sua casa, pois não sabe como fazê-lo. Não significa que você ame o canalizador. Apenas necessita dele para ter água em sua casa. Ele faz o serviço, paga e pronto!

Pode parecer um pouco “frio e simplista” esta análise assim, mas se repararem é o que acontece de facto, obviamente sem o uso da “energia monetária”. Mas sempre que existe uma dependência e damos algo à pessoa amada ficamos sempre na expectativa de sermos correspondidos na nossa dependência. É como se efectuássemos um registo de “Deve e Haver”. E tal se passa com o companheiro, filhos, pais…



Mas isto não é Amar



Se repararem bem, à medida que a nossa expectativa e nosso desejo são maiores, inconscientemente o medo de este não se realizar aumenta. A confiança entre os dois vai desaparecendo… tão subtilmente. A sensação de estarmos sós retorna.

Podemos assim concluir que o Amor suporta-se em duas virtudes fundamentais que são: a capacidade de estar em intimidade e a de manter a autonomia.

Intimidade não é só o que acontece quando dois corpos fazem amor, mas é algo infinitamente maior. É o partilhar de sentimentos e pensamentos: almas nuas que se encontram sem disfarces. É o saber expressar o que está acontecendo dentro de si, receber o outro e, juntos, encontrarem espaço para os dois seres.

A maior parte das pessoas teme a intimidade por considerar muito negativo o que guardam dentro de si. Elas imaginam que só têm inveja, sentimentos de inferioridade, desejos inconfessáveis. Então, se escondem. Falam dos seus actos e até de seus planos, mas não mostram seu interior, porque sabem que, quando alguém entrar, terá uma visão completa. Conhecerá o interior e entenderá o exterior…


(texto adaptado e baseado no livro "Sem medo de Vencer" de Roberto Shinyashiki)

Conhecer-se a si próprio e partilhar esse conhecimento com o outro é algo que não “doi nada” e que tem um efeito de cura impressionante. Viaje para o seu interior e descubra-se a si mesmo. Partilhe depois esse conhecimento.

Entregue-se plenamente à vida e viva-a em Amor e com muito AMOR …


Fiquem bem.

(A Mónada)


4 comentários:

Anónimo disse...

Lindíssimo...
Amei de coração!...
Obrigada


A Fadinha

Anónimo disse...

Olá!

Sim... continuo a passar por aqui, a querer saber como andas, como estás.

Gostava também de partilhar contigo o como eu ando como estou... contar das minhas vitorias, dos meus equilibrios, dos meus sucessos.. da minha filha Elif, da Turquia..

Tenho tido intenção de te ligar à noite... mas quando chega a hora, esqueço-me... e depois já é tarde demais.. será um sinal?

O teu telemovel, para ligar durante o dia, não o tenho... risos...... por aquelas ra´~oes, lembras-te?

Tudo de bom para ti! (Para mim também!)

Beijo
Rosário

Anónimo disse...

Foi isto que me trouxe de novo aqui:

http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=67905

rosario

A Mónada disse...

Obrigado pelos vossos comentários. São para nós sempre um incentivo…

Rosário: Tripulante desta nave desde o princípio e boa amiga. Muito obrigado pelo teu interesse.

Abraço Luminar para as duas.

Fiquem bem…