quarta-feira, 20 de setembro de 2006

O ovo de Colombo


"O "ovo de Colombo" é um esquema pequeno e simples, que descreve praticamente todos os "jogos de poder" que ocorrem entre seres humanos. Para o compreender, é preciso aceitar que a interacção entre seres humanos seja, basicamente, um intercâmbio energético. Da mesma forma que nos sentimos bem com determinada pessoa e mal junto de outra, quando competimos pelo poder com outro indivíduo, em palavras ou acções, sentimos um efeito corporal agradável ou desagradável, segundo sejamos o vencedor ou o vencido.
Isto significa que uma pessoa se impõe à outra, chupando a energia, alimentando-se desta. Quando estamos cheios de energia, sentimos-nos vivos, alegres, felizes. Como não aprendemos a recolher esta energia da natureza, dos alimentos, do sol, da beleza, numa palavra, do mundo onde existe a abundância, acabamos por fazer o que aprendemos e vimos a fazer desde sempre (ou por ser mais fácil - digo eu): tomamos a energia de outra pessoa, como se fossemos vampiros que precisássemos da energia do outro, para poderemos viver mais um dia!
Imaginemos visualmente uma partida em que o campo está dividido em duas partes iguais; logicamente, corresponde a metade para cada jogador. Quando de dá a interacção entre duas pessoas de forma equilibrada e respeitosa, a energia ocupa o campo próprio, sem invadir o campo do outro, nem ser, por sua vez invadido por ele. Vibratoriamente, cada um permanece dentro de si, mesmo estando em contacto com o outro. Se a relação for realmente amorosa, a energia de ambos pode fundir-se, criando um estado "alterado" do campo energético, que se percebe como uma expansão, um bem-estar sublime, físico e anímico. Há espaço para ambos; ambos se sentem energeticamente nutridos.
Se duas pessoas lutam pelo poder, a imagem visual será outra. Um dos jogadores entrará no campo do outro, ocupando mais espaço do que aquele que lhe está atribuído, e o outro jogador encolher-se-á na sua esquina do campo. O que está encolhido é, aparentemente vítima do que está a invadir.
Vejamos o que acontece energeticamente.
Para compreendermos o que se passa, temos de saber que a energia não admite vazios. Dito de outra forma, se o jogador que se encolheu não ocupar o seu campo energético, o vazio que ele deixa atrai como um íman, a energia do outro, pois o vazio quer encher-se! Então, numa interacção o indivíduo que não ocupar o seu campo de energético estará a apelar ao outro para o invadir! Esta afirmação tem uma importância enorme.
Significa que a responsabilidade não é apenas do invasor, mas também do invadido! Significa que, se não nos responsabilizarmos pelo que nos corresponde, estamos a apelar aos outros para que nos faltem aos respeito... Se nos encolhermos, aparecerá fatalmente uma pessoa que cumpra a necessidade energética de encher o vazio que nós próprios deixámos, e seremos agredidos. Isto significa apenas que a vítima é tão responsável como o verdugo! No jogo sadomasoquista do poder, o masoquista é tão responsável pela situção como o sádico, pois atrai-o...
Esta luta pelo poder pode prosseguir indefinidamente, tendo graves consequências na vida das pessoas. Provocando, frequentemente danos irreparáveis. Pode acontecer que a própria tendência para o equilíbrio faça com que o encolhido, com o passar do tempo, encurralado e ferido, salte enlouquecido sobre o seu agressor fazendo com que o jogo mude de direcção. Aquilo que esponho de forma clara nem sempre é assim tão evidente. O mais vulgar são os jogos subtis e golpes encobertos, nem por isso menos dolorosos ou destrutivos. Na luta pelo poder, ninguém quer sair derrotado, pois isso significa perder a vitalidade e, para o evitar, utilizam-se os mais encobertos subterfúgios e golpes baixos, muitas vezes inconscientemente...
De facto, este processo dá-se entre pessoas que se amam ou se amaram muito! Ambos estão carregados de razões, e a situação é vivida com muita dor, dramaticamente..." in "O jogo da atenção" de Marly Kumerz.

Agora pararia apenas para dizer: Make love not war.

Fiquem bem.

(A Mónada)

2 comentários:

Anónimo disse...

Compreendi o que queres dizer... e sim, cada vez há mais teorias a dizer que a vítima também é responsável pela sua situação de vítima.

Mas, que não se desresponsabilize o agressor!

rosario

A Mónada disse...

Isso mesmo... ;-)