segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

A Sabedoria que já Vive em nós

Nenhum destes pontos é uma aspiração espiritual; são factos da vida quotidiana, ao nível das suas células.

1- Objectivo mais elevado: Cada célula do seu corpo aceita trabalhar para o bem-estar do todo; o seu bem-estar individual surge em segundo lugar. Se necessário, morre para proteger o corpo, e muitas vezes assim é - o tempo de vida de qualquer célula é uma fracção do nosso próprio tempo de vida. As células da pele morrem aos milhares, a cada hora, o mesmo acontecendo com as células imunitárias que combatem os micróbios invasores. O egoísmo não constitui uma opção, mesmo que se trate da própria sobrevivência de uma célula.


2- Comunhão: Uma célula mantém-se em contacto com to­das as outras células. As moléculas mensageiras acorrem a toda a parte para comunicar aos recantos mais afastados do corpo qualquer desejo ou intenção, por mais ténue que seja. Retrair-se e recusar-se a comunicar não constituem opções.


3- Consciência: As células adaptam-se, momento a momento. Mantém-se flexíveis para poderem responder a situações imediatas. Ficar preso a hábitos rígidos não constitui uma opção.

4- Aceitação: As células reconhecem-se umas as outras como igualmente importantes. Cada função do corpo esta interdependente de todas as outras.
Desempenhá-la sozinho não constitui opção.


5- Criatividade: Embora cada célula tenha um conjunto de funções únicas (as células do fígado, por exemplo, podem desempenha­r cinquenta tarefas diferentes), estas conjugam-se de formas criativas. Uma pessoa pode digerir alimentos que nunca comeu antes, ter pensamentos que nunca lhe ocorreram, dançar de uma forma que nunca antes se viu. Agarrar-se a um velho comportamento não constitui opção.

6- Ser: As células obedecem ao ciclo universal de repouso e acti­vidade. Embora este ciclo se expresse de muitas formas, como as flutuações dos níveis hormonais, da pressão arterial e dos ritmos digestivos, a expressão mais óbvia é o sono. Por que razão pre­cisamos de dormir continua a ser um mistério para a medicina e, no entanto, surge a disfunção total se não gozarmos dos seus benefícios. No silêncio da inactividade, o futuro do corpo está em incubação.
Ser obsessivamente activo ou agressivo não constitui uma opção.


7- Eficiência: As células funcionam com o mínimo gasto possível de energia. Por norma, uma célula armazena apenas três se­gundos de alimento e oxigénio dentro da sua membrana celular. Confia plenamente em que tomarão conta dela.
Um consumo excessivo de alimentos, ar ou agua não constitui uma opção.

8- Ligação: Devido à sua herança genética comum, as células sabem que são fundamentalmente iguais. O facto de as células do fígado serem diferentes das do coração, e de as células mus­culares serem diferentes das cerebrais, não nega a sua identidade comum e esta e imutável. Em laborat6rio, uma célula muscular pode ser transformada geneticamente numa célula cardíaca recorrendo à sua fonte comum. As células saudáveis permanecem ligadas à sua fonte independentemente do número de vezes que se dividam. Para elas, ser um proscrito não constitui uma opção.

9- Dar: A actividade primária das células é dar, o que mantém a integridade de todas as outras células. Um empenhamento total em dar torna automático o receber - e a outra metade do ciclo natural. O açambarcamento não constitui uma opção.

10- Imortalidade: As células reproduzem-se para transmitirem os seus conhecimentos, experiência e talentos, não escondendo nada dos seus descendentes. É um tipo de imortalidade prática, submetendo-se à morte, no plano físico, mas derrotando-a, no plano não físico. O fosso entre as gerações não constitui uma opção.

Quando olho para tudo o que as minhas células aceitaram, será que não se trata de um pacto espiritual, em todos os sentidos da expressão? A primeira qualidade, procurar um objectivo mais elevado, é a mesma que as qualidades espirituais de renúncia e altruísmo.

Dar é o mesmo que devolver a Deus o que é de Deus. Imortalidade é o mesmo que a crença na vida depois da morte.


Todavia, os rótulos adoptados pela mente não constituem uma preocupação do meu corpo.

Para o meu corpo, estas qualidades são pura e simplesmente o modo como funciona a vida. São o resultado da expressão da inteligência cósmica, ao longo de biliões de anos, como biologia. O mistério da vida foi paciente e cuidadoso no processo de permitir que emergisse todo o seu potencial. Mesmo agora, o acordo tácito que mantém o meu corpo coeso produz a sensação de um segredo porque, segundo todas as aparências, esse acordo não existe.


Mais de duzentos e cinquenta tipos de células desempenham as suas funções diárias: as cinquenta funções que uma célula hepática desempenha são totalmente únicas, não se sobrepondo às funções das células musculares, renais, cardíacas ou cerebrais - todavia, seria ca­tastrófico se uma só dessas funções tivesse comprometida.


O mistério da vida encontrou uma forma de se expressar perfeita­mente através de mim.

Reveja uma vez mais a lista das qualidades e preste atenção a tudo o que é referido como "não constituindo uma opção": egoísmo, recusa em comunicar, viver como um proscrito, con­sumo excessivo, actividade obsessiva e agressão.


Se as nossas células não se comportam desta forma, porque o fazemos?


Porque é que a ganância é boa para nós e, no entanto, significa a destruição, ao nível das nossas células, onde a ganância é o erro cometido pelas células cancerosas? Porque permitimos que o consumo excessivo conduza a uma obesidade epidérmica, quando as nossas células medem ao nível da molécula o combustível que consumimos?

Como pessoas, ainda não renunciámos ao comportamento que mataria os nossos corpos num dia. Estamos a trair a nossa sabedoria corporal e, o que é pior, estamos a ignorar o modelo de uma vida perfeita que existe dentro de nós.”

In O livro dos Segredos, Deepak Chopra, 2005


Pensem como seria se fossemos assim na sociedade, nas nossas organizações e até na nossa família...


Fiquem bem.


(A Mónada)

3 comentários:

Cachorro Cosmico Branco disse...

New look...
Hum... Refreshing changes... ;)

Adoro este livro, e sabes?... Acho que devia ser "obrigatório" nas escolas. E os pais das crianças também deveriam ter como trabalho de casa lê-lo...

Se ao menos as pessoas entendessem a proporção das coisas que pensam, aquilo que fazem a si próprias...

Um abraço grande

lucy disse...

Também li este livro e apreciei, particularmente, esta noção de pertença das células. Como poderemos viver isolados e prescindirmos uns dos outros? Lembrei-me também, daquela história das mãos que se revoltam contra o resto do corpo por acharem que fazem tudo, desconhecendo que cada parte do corpo tem a sua função.

Sempre é bom relermos e interiorizarmos melhor aquilo que nos faz falta.

Um abraço amigo

A Mónada disse...

Cachorro cosmico e lucy obrigado pelos vossos comentários...

Fiquem bem.