sexta-feira, 11 de maio de 2007

Uma Aprendizagem - 1ª Parte


Não posso deixar de partilhar com quem tiver a paciência de ler, a minha experiência de tão intensa que foi ou, está ainda a ser, na medida que eu sinto ainda não estar concluída.

Estas Energias que nos estão envolvendo não nos permitem mais, mantermos em nós próprios pontos que não estão reconhecidos e que ainda coexistam connosco.

Há uns anos quando fiz astrologia vi que uma das missões que vinha completar para esta vida era um trabalho que havia desaprendido em relação aos animais, em especial cães, sentindo nessa altura porque tinha atraído tantos e porque alguns estão comigo desde há 13 anos.

Como todo o trabalho que tenho com eles sempre fiz com amor, sei que neste momento não existe mais carma mas sim dharma. Mas, e porque há sempre um mas, é neste ponto que tocam estas Energias.

Com essa lição desaprendida noutra vida, trouxe um gigante “corpo de dor”, o medo de ver o sofrimento nos animais ligado a um enorme sentimento de culpa.

Não tem sido fácil. Ao longo dos anos, dentro da minha ignorância e antes de começar a caminhada do conhecimento, este corpo de dor ia atraíndo situações extremamente dolorosas que me faziam perguntar, o porquê?, sem conseguir obter respostas.

Com o avançar da minha aprendizagem e através das meditações, foi começando a sentir a relação que existe entre o que lhes ia acontecendo comigo e fui observando sem focar. Ao tomar consciência do que era um “corpo de dor” e como funcionava, comecei a trabalhá-lo tentando libertar-me. E, estive realmente uns tempos largos sem que ele se manifestasse, concedendo-me um período calmo até há três dias.

Vou começar por vos descrever o contexto em que tudo se passa, para que possam sentir o que vou relatar…

Tenho 13 cães, uns pequenos de 2kg aproximadamente, outros com cerca de 10kg, que para as pessoas são muito meigos, no entanto no grupo são ferozes, muito agressivos, o que eu desconhecia. Atraí-os para a minha vida porque tinha de fazer estas aprendizagens que duram desde que os tenho.

Inicialmente não eram tantos mas foi aumentando o grupo porque gostava de observar os bébés, como se relacionavam e como cresciam. Uns mais velhotes com 13 anos, o mais novo com 7 anos. Tenho-os separados por dois grupos de tamanhos e afinidades de carácter, quando chego a casa solto-os e ficam juntos. Em relação à agressividade entre eles, já eliminaram dois do grupo que coabitavam e foram criadas com eles, juntamente com as ameaças de outros ataques.

Então à umas semanas que vinha intuindo a aproximação de uma aprendizagem através deles, pelos estranhos pensamentos que me vinham à mente e pelo aumento progressivo da agressividade entre eles. Ao mesmo tempo o meu corpo dava-me um sinal de que estava a manifestar medo, mas não conseguia intuir de quê, apesar de o tentar em meditação. Claro que podia ver relacionado com o que me vinha à mente mas, não relacionei, talvez não estivesse suficientemente atenta.

Surgiu-me no meu pensamente deixá-los juntos quando fosse trabalhar, como estava bom tempo, com acesso ao exterior podendo entrar e sair quando quisessem. E, assim fiz. Não foi mesmo nada fácil, mas foi também uma maneira de eu sentir as minhas dificuldades e tentar manter o meu pensamento presente. Bastava ter sentido isso, e ter ficado por aí, tomando apenas consciência. Mas no momento não consegui ver o que vejo agora e, apercebi-me também que voltava para casa com expectativas do que iria encontrar, sinal evidente de medo e, registei. Tentei senti-lo em meditação e não consegui.

Comecei a questionar se estaria certo deixar os mais pequenos e já sem dentes correrem riscos junto à agressividade crescente que vinha sentindo dos outros. E, no dia seguinte deixei-os novamente, como sempre nos seus espaços divididos.

Chego a casa solto-os e, a meio da tarde da tarde, comigo em casa e perto deles, gera-se uma confusão e umas das mais pequenas é violentamente atacada pelo grupo. É tão rápido que, quando corro para eles já não consigo evitar que fique bastante ferida. E, no meio da dor que senti ocorreu-me logo que era exactamente isso que vinha antevendo e manifestando medo e, questionei-me porque tinha acontecido justamente quando estava em casa e não quando estavam sozinhos como ocorrera das duas vezes anteriores, há cerca de 5 anos.

Porque havia atraído? Sabia que um corpo de dor, quando muito “gordo” pode ser tremendamente cruel e agir como um obsessor. Mas como não havia dado por ele antes? E, enquanto tratava da ferida do animal, ia pedindo serenidade para conseguir intuir o que precisava.

Mais tarde e em meditação a cena voltava ao meu pensamento e dentro da minha cabeça ressoavam os gritos do animal. Senti que devia manter-me como observadora tentando não me identificar com o que me vinha, não podia fugir, tinha que me confrontar e permanecer, encará-lo de frente. Todo o meu corpo transpirava. Eu estava muito para dentro e consciente. À medida que observava, a densidade muito lentamente ia-se desvanecendo e começava a chegar-me alguma informação e, sinto que nos dias que antecederam eu fui recebendo “flashes” desse medo. Como nunca relacionei com um possível corpo de dor, e não o encarei, ele foi ficando cada vez maior e, mais forte, directamente proporcional ao quanto eu o evitava inconscientemente. Mais tarde e no outro dia fui sentindo mais coisas, ao mesmo tempo a cena voltava várias vezes a surgir-me e eu repetia ainda com esforço o mesmo exercício de encarar. E senti também que existiam dentro de mim algumas raivas que precisavam de ser transmutadas. Aprendi a ir buscar a Força Interior para voltar à serenidade, e co-criar harmonia. Como nada acontece por acaso o Universo tinha-me posto a ver o filme do “Segredo” uma semana antes.

Em relação ao animal ferido, e apesar de ter uma ferida aberta de uns 10 cm, no dia seguinte, comia e corria pela casa. Dois dias depois a ferida estava quase fechada sem levar nenhum ponto, apenas com a imposição das mãos.

Aprendi como é importante estar atenta ao pensamento, ao trabalho da minha mente. Aprendi também que até o cair de uma folha da árvore já estava previsto, porque simplesmente nada, mas mesmo nada, acontece por acaso. Assim, também este acontecimento fez vir ao de cima, ao consciente o que estava bem no fundo. (continua... )


(Acrosh)

4 comentários:

MEU DOCE AMOR disse...

Mónada:lindo o teu testemunho.Nada acontece por acaso.E não foi por acaso que aqui vim.Obrigada.

Beijinho doce

MEU DOCE AMOR disse...

Fui ler o post anterior:9deveras interessante.

Beijinho doce

António Rosa disse...

Belo testemunho, o da Acrosh. Aguardo o desenrolar.

Um abraço luminoso.

António

A Mónada disse...

Meu doce amor: o autor deste texto é Acrosh e não eu. Apenas me limitei a publicar porque considero o seu testemunho com uma grande lição para todos nós.

A ambos Acrosh agradece os vossos comentários.

Fiquem bem