quinta-feira, 31 de maio de 2007

A Jornada - 2ª Parte - Karma de Poder


Esta minha vida é uma vida de resgate kármico. Trago comigo nesta reencarnação karma de poder. Nunca me foi difícil, desde muito pequena, aceitar conceitos como a reencarnação e o karma, pelo contrário, pois sempre me pareceram tão naturais e verdadeiros. Por essa sensação de “facilidade” e “aceitação” reconheço então que conceitos como esses são lições já assimiladas noutras vidas, pois uma aprendizagem só o é quando traz consigo alguma dificuldade em ser atingida, algum desconforto, alguma dor. Essa dor advém em grande parte do facto de termos de substituir algo que assumiamos como nosso e verdadeiro, (geralmente de forma inconsciente), por o que essa lição nos traz, o que no fim é compensatório mas não deixa de ser doloroso. Mas, como dizem: “o que arde, cura”.

A noção de karma de poder é para mim uma lição a assimilar no tempo presente. Sempre senti a necessidade de me lembrar de vidas passadas, e considerei a hipótese de fazer uma regressão. Hei-de fazê-lo, pois nunca pus essa hipótese de lado, embora agora entenda porque nunca se proporcionou. Já há muito tempo, eu e a minha “cara-metade” falávamos sobre este mesmo tema, e ele, com a maior das certezas disse-me que nunca quereria saber sobre as suas vidas passadas. “Como te sentirias se descobrisses que tinhas sido uma pessoa muito má?” – foram as suas palavras.

Agradeço ao Universo ter-me posto ao lado de uma pessoa tão linda e especial, e embora a questão sobre vidas passadas ter-se, por enquanto, encerrado para ele, era só o início para mim. “God has given us memories that we might have” – é o dito que aparece num tabuleiro que um dia comprei e, que só agora começo a apreender o seu significado, e novamente agradeço ao Universo por ser gentil e meigo para connosco, dando-nos a informação que precisamos de forma gradual, protegendo-nos assim de dor que não possamos tolerar e ultrapassar. Agradeço por ver degraus onde antes via montanhas.

Pois temos sempre que confiar, em todas as alturas. Saber que existe uma Sabedoria maior que tudo que deposita em nós esperança, e tem a certeza absoluta que conseguimos ultrapassar todo e qualquer obstáculo.

Muito antes de saber que trazia karma de poder, ou até saber o que era karma de poder, algumas visões eram despoletadas em estado consciente, simplesmente por ouvir determinada música, ver determinada imagem, ou até por pensar num detalhe, ouvir uma língua específica. A todas essas visões dei-lhes uma meia importância, porque sempre fui uma pessoa imaginativa. Hoje dou-lhes mais relevância, porque se ficaram na minha memória, (a mim, que até sou muito distraída!), por algum motivo era. E, embora só tenha levantado uma pontinha do véu, algumas peças do puzzle se vão juntando.

Karma de poder significa trazer a obrigação de pagar a dívida que foi gerada por nós anteriormente, por abuso de poder. E existem inúmeras formas de poder e de se ter abusado do mesmo. A verdade é que todos nós, em todas as vidas, vimos experienciar a lei da dualidade. Só depois de aprender e vivenciar todos os opostos é que é possível afirmar que possuímos o conhecimento sobre os mesmos. Afinal, quem pode saber o que é a tristeza ou a alegria até a sentir, no corpo, na alma, no espírito. Definições são vãs se não partirem de nós próprios. Nunca será o significado encontrado por outros que irá encher esse vazio que todos possuímos, por mais valor que este tenha. Ninguém poderá nunca aprender por nós, e passar pelo ciclo da dualidade em nosso nome.

Mais uma vez é um caminho doloroso, mas a recompensa que nos espera a cada um de nós no final da jornada, no término de todos os ciclos em que aprendemos e vivenciámos todo e qualquer componente da dualidade, é a liberdade. Seremos livres, porque acima de tudo seremos conscientes, e poderemos em toda a liberdade, livres de toda a ignorância, escolhermos regressar à nossa própria essência. Poderemos abrir a “mala” que nos acompanhou durante toda a nossa longa viagem e, juntar todos os fragmentos que fomos recolhendo e que reconhecemos como sendo parte do nosso verdadeiro ser.

“Quem vive pela espada, morrerá pela espada” – este é um velho adágio. Lembrei-me deste porque ajuda-me a aceitar este meu karma de poder. Talvez não pareça a coisa mais positiva de que nos possamos lembrar, mas essa é só a impressão superficial. Por detrás deste adágio está inerente muito mais do que à primeira vista, como aliás acontece com tudo e todos que nos rodeiam.

Após a identificação deste karma lembro-me perfeitamente de que em primeiro lugar o meu coração foi inundado por compaixão por quem fui. “Solidão dos poderosos” - li eu, e só pensei na dimensão da tristeza que deveria acompanhar essa solidão, e na dimensão do meu imaginário abracei-me e sussurrei-me: “já não estás só”. Um segundo pensamento veio oprimir o meu coração, apertar-me como se o mundo desabasse de repente e, por momentos pode-se dizer que entrei num estado de pânico. Não me questionava sobre quem teria sido, mas sim sobre o que teria feito. Lágrimas escorriam-me pelo rosto enquanto pensava vezes sem conta que tinha que pedir perdão. A todos aqueles que partilharam comigo essa vida, tinha que pedir perdão... perdão... mil vezes perdão. Nesse momento agradeço ao Céu por me terem sussurrado algo como: procura em ti... sossega... cada ser é feito de sombra e luz... há sempre luz.

“Quando te sentires injustiçada, humilhada, é a reposição de algo localizado no passado” – foi tão rápido tomar consciência desta verdade. Vi inúmeras situações passadas da minha vida diante dos meus olhos com uma tranquilidade nunca experienciada. O sofrimento, por vezes egoíco que associava às mesmas, desvaneceu-se e ao mesmo tempo olhava para mim mesma nessas imagens com amor. Senti-me feliz por ter passado por todos esses episódios. E, agora rio bastante enquanto escrevo isto, porque sim, é verdade, agora quando penso que já vivenciei a humilhação, o abuso de poder como vítima, agradeço por isso. E o rancor, fruto do orgulho ferido, que estava colado a essas memórias desapareceu, assim como os sentimentos negativos que associava às pessoas que exerceram esse poder sobre mim, porque agora vejo que foram actores do palco dos ciclos kármicos. Eu perdoo-lhes, agradeço-lhes e amo-os.

Reconheço que se me aconteceu é porque outrora eu fiz acontecer. Com amor, eu saldo as minhas dívidas. Peço ao nosso Pai Celeste que os perdoe totalmente, porque aceito a responsabilidade que me cabe desses actos – “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

Eu também me perdoo, tão simplesmente porque para além dessa vida, pela sabedoria do Universo, eu também sou Tapué, e corro pela floresta amazónica na companhia do meu puma Moá.

Bem hajam.

Tapué Moá

3 comentários:

MEU DOCE AMOR disse...

Muito interessante esta experiência que relatas.E os ensinamentos.

Beijinho doce

Linda música.Mesmo linda.

MEU DOCE AMOR disse...

Mónada: o teu blog é uma verdadeira nave de temas fantásticos.Adoro cá vir e viajar nela.E tenho mesmo a sensação de estar numa nave que vai numa missão,por esse universo fora.

Beijinho doce

António Rosa disse...

Gostei muito, assim como dos artigos anteriores. O teu trabalho é fantástico.

Um abraço

António