domingo, 17 de junho de 2007

O Amor (republicação de um post anterior)

Não sabia o que escrever hoje e ao passar os olhos sobre alguns postes já publicados anteriormente, deparei com um, com o título simplemente "Amor", de Agosto do ano passado, que começava com a seguinte citação:

"Amor

Há duas qualidades básicas que são a essência de todas as outras: o amor e a verdade.

O amor baseado no apego causa sofrimento quando a separação acontece. Porém o amor sem egoísmo, que não é misturado com o sentimento de eu e meu, espalha luz. Assim como a luz se espalha para todos os lados, o amor divino vai para todas as pessoas.

O poder para amar a todos vem da verdade. A verdade eleva a consciência a tal nível que a pessoa não é afectada pelas acções dos outros, sejam elas certas ou erradas." de Brahma Kumaris.


Decidi republicá-lo... Comentava então assim:


"Ao observarmos os nossos próprios relacionamentos devemos parar e perguntarmo-nos: Ele está verdadeiramente assente na verdade e na integridade de cada um?

Ser genuíno e livre é a premissa essencial para amar.

Há quem sinta medo ou receio de amar. Medo de quê? pergunta-se... Normalmente a resposta é vaga e confusa... Não se sabe bem... Há quem arrisque algumas respostas como por exemplo: de sofrer, de se entregar e depois verificar que se enganou, das cedências que se tem de fazer... Será?

Ao reler este texto de Brahma Kumaris sinto que passar pela vida sem sentir amor é um total desperdício e sentir medo é desde logo atrair para a relação o que verdadeiramente nos causa receio, muito provavelmente por que é a aprendizagem que temos de fazer.

Quando o receio é do sofrimento então isso pressupõe apego e perda, quando tal existe é porque ainda não se viveu o verdadeiro Amor. Houve uma vez alguém que me disse que depois de uma separação, e se ainda houver algo entre ambos, então o que restar são manifestações de amor... Estranho não é?"


Aqui arrisco agora um comentário simples... Já não me parece nada estranho, pelo simples facto de que ambos se despojaram dos apegos, dos "eu" e "meus" que já não fazem mais sentido. Essas manifestações de amor já não são entre homem e mulher, mas de Ser para Ser.


Mas continuava então...


"Se o mais importante na relação for o pleno respeito pela liberdade e o livre arbítrio do outro e de si próprio, será que se consegue ter uma vida em comum? Se amo como é que consigo ter o distanciamento suficiente para ver partir quem amo sem sofrer? Estas são algumas das muitas perguntas de difícil resposta mas todas elas só encontram uma resposta no interior de cada um.

Se o nosso coração estiver invadido por amor então a vivência desse amor é tranquila e baseada na entrega, na partilha e na confiança. O amor sentido extravasa o apego que deixa de existir porque não tem sentido. Este amor é incondicional porque não avalia, apenas se sente. Este amor não é seguramente uma relação de equilibrio entre o que recebo e o que dou. É como diz o poeta "O fogo que arde sem se ver.
Termino este post com mais três textos a propósito:

"Passamos a amar não quando encontramos uma pessoa perfeita, mas quando aprendemos a ver perfeitamente uma pessoa imperfeita." de San Ken

"O amor que se dá enriquece infinitamente mais que o amor que se recebe." de A. Borçóis-Macé.


e não resisto a transcrever para aqui também, porque é magnífico, o que o nosso grande poeta Fernando Pessoa tão bem escreveu:

"O amor pede identidade com diferença, o que é impossível já na lógica, quanto mais no mundo. O amor quer possuir, quer tornar seu o que tem de ficar fora para ele saber que se torna seu e não é. Amar é entregar-se. Quanto maior a entrega, maior o amor. Mas a entrega total entrega também a consciência do outro. O amor maior é por isso a morte, ou o esquecimento, ou a renúncia - os amores todos que são os absurdiandos do amor. (...) O amor quer a posse, mas não sabe o que é a posse. Se eu não sou meu, como serei teu, ou tu minha? Se não possuo o meu próprio ser, como possuirei um ser alheio? Se sou já diferente daquele de quem sou idêntico, como serei idêntico daquele de quem sou diferente? O amor é um misticismo que quer praticar-se, uma impossibilidade que só é sonhada como devendo ser realizada."


Fernando Pessoa, in 'O Rio da Posse'

Nada mais acrescento. Apenas vos deixo com mais uma pergunta.


O que é afinal o amor a dois?


Releiam de novo Fernando Pessoa e ousem comentar, aqui, este post.


Fiquem bem.



(A Mónada)

1 comentário:

António Rosa disse...

Gostei muito deste artigo. Um abraço.
António