quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Amor

Hoje apetece-me falar do Amor. Começo por copiar para aqui o seguinte texto que achei excelente quando o recebi:

"Amor

Há duas qualidades básicas que são a essência de todas as outras: o amor e a verdade.

O amor baseado no apego causa sofrimento quando a separação acontece. Porém o amor sem egoísmo, que não é misturado com o sentimento de eu e meu, espalha luz. Assim como a luz se espalha para todos os lados, o amor divino vai para todas as pessoas.

O poder para amar a todos vem da verdade. A verdade eleva a consciência a tal nível que a pessoa não é afectada pelas acções dos outros, sejam elas certas ou erradas." de Brahma Kumaris.

Ao observarmos os nossos próprios relacionamentos devemos parar e perguntarmo-nos: Ele está verdadeiramente assente na verdade e na integridade de cada um?

Ser genuíno e livre é a premissa essencial para amar.

Há quem sinta medo ou receio de amar. Medo de quê? pergunta-se... Normalmente a resposta é vaga e confusa... Não se sabe bem... Há quem arrisque algumas respostas como por exemplo: de sofrer; de me entregar e depois verificar que me enganei; das cedências que terei de fazer...


Ao reler este texto de Brahma Kumaris sinto que passar pela vida sem sentir amor é um total desperdício e sentir medo é desde logo atrair para a relação o que verdadeiramente nos causa receio, muito provavelmente por que é a aprendizagem que temos de fazer.


Quando o receio é do sofrimento então isso pressupõe apego e perda, quando tal existe é porque ainda não se viveu o verdadeiro Amor. Houve uma vez alguém que me disse que depois de uma separação, e se ainda houver algo entre ambos, então o que restar são manifestações de amor... Estranho não é?

E se o mais importante na relação for o pleno respeito pela liberdade e o livre arbítrio do outro e de si próprio. Será que se consegue ter uma vida em comum? Se o amo como é que consigo ter o distanciamento suficiente para o ver partir sem sofrer? Estas são algumas das muitas perguntas de difícil resposta mas todas elas só encontram uma resposta no interior de cada um.

Se o nosso coração estiver invadido por amor então a vivência desse amor é tranquila e baseada na entrega, na partilha e na confiança. O amor sentido extravasa o apego que deixa de existir porque não tem sentido. Este amor é incondicional porque não avalia, apenas se sente. Este amor não é seguramente uma relação de equilibrio entre o que recebo e o que dou. É como diz o poeta "O fogo que arde sem se ver".

Termino este post com mais três textos a propósito:

"Passamos a amar não quando encontramos uma pessoa perfeita, mas quando aprendemos a ver perfeitamente uma pessoa imperfeita." de San Ken

"O amor que se dá enriquece infinitamente mais que o amor que se recebe." de A. Borçóis-Macé.


e não resisto a transcrever para aqui também, porque é magnífico, o que o nosso grande poeta Fernando Pessoa tão bem escreveu:


"O amor pede identidade com diferença, o que é impossível já na lógica, quanto mais no mundo. O amor quer possuir, quer tornar seu o que tem de ficar fora para ele saber que se torna seu e não é. Amar é entregar-se. Quanto maior a entrega, maior o amor. Mas a entrega total entrega também a consciência do outro. O amor maior é por isso a morte, ou o esquecimento, ou a renúncia - os amores todos que são os absurdiandos do amor. (...) O amor quer a posse, mas não sabe o que é a posse. Se eu não sou meu, como serei teu, ou tu minha? Se não possuo o meu próprio ser, como possuirei um ser alheio? Se sou já diferente daquele de quem sou idêntico, como serei idêntico daquele de quem sou diferente? O amor é um misticismo que quer praticar-se, uma impossibilidade que só é sonhada como devendo ser realizada." Fernando Pessoa, in 'O Rio da Posse'

Fiquem bem.

(A Mónada)

2 comentários:

Anónimo disse...

Olá Mónada!

Olha, não sei se deste conta, mas tu própria respondeste á peguntas que fizeste.

Dizes, que “se o nosso coração estiver invadido por amor então a vivência desse amor é tranquila e baseada na entrega, na partilha e na confiança.”

E, eu respondo-te que, é porque a vivência desse amor é tranquila, e baseada na entrega, na partilha e na confiança, que se consegue ter o distanciamento suficiente para o ver partir sem sofrer.

Aliás, basta pensares nos filhos, a quem se ama incondicionalmente, e aí tens o exemplo desse amor que permite partir e deixar partir, porque se ama, e se ama muito!

Daí, o pleno respeito pela liberdade e o livre arbítrio do outro. Daí o prazer extraordinário de assistir ao desenvolver do outro, fruto dessa sua liberdade e desse mesmo livre arbítrio.

Costumo brincar, falando a sério, que só porque amo muito a minha filha, só porque a amo tanto, consigo deixá-la partir, consigo suportar o correr o risco que corre, longe de mim, em vez de a guardar em casa, salva de todos os perigos.

rosario

A Mónada disse...

Isso mm. Concordo plenamente.